Governança se faz com confiança
 

Por que a discussão sobre Confiança é tão importante na sociedade atual, quando se trata de um ativo intangível, pouco afeito a um contexto de materialidades?

Trata-se de um conceito tão antigo quanto a humanidade. Em seus efeitos interpessoais é historicamente ilustrado pelo fio de barba como garantia em negociações.  Extrapolando-se para cenários globais, basta lembrar da hesitação de Churchill em envolver formalmente os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial enquanto não confiava nos propósitos de Roosevelt e nele próprio.

Em termos coloquiais, Confiança é a suspensão da incerteza relativamente às ações dos outros, seja em ambientes restritos a duas pessoas, seja nas relações de poder envolvendo Estados, ou ainda quando ambos se fundem.

Também não se expressa apenas através do outro. Há um componente pessoal de convicção do próprio valor quando da interação. A autoconfiança é determinante daquilo que se deseja lograr.

Com tantos fatores, crenças e interesses envolvidos, o que parecia simples e volitivo torna-se um processo complexo que demanda competência a quem estiver envolvido na formulação, negociação e efetivação de sistemas gerenciais. Mais ainda quando o gerencial passa à dimensão institucional.

O caso brasileiro apresenta peculiaridades que excedem os arranjos praticados em outros Estados. Pelo menos duas características culturais afloram e influenciam a credibilidade nas relações: a interatividade das pessoas e a tradição autoritária no exercício do poder. Daí inclusive a expressão “cargo de confiança”, como se os demais não o fossem. Os interesses do ocupante eventual do poder versus os do Estado. Parece não predominar a confiança funcional, em benefício do interesse particular.

Estendida essa dupla face da moral pública aos contratos, acordos e julgamentos em toda a sociedade, observa-se um país carente de relações aprioristicamente críveis, que precisa de infindáveis desdobramentos da definição de suas prioridades, tal o volume de negociações a cada passo. Delega-se para o Estado a resolução de problemas por evidente falta de confiança no comportamento alheio. A Justiça do Trabalho (3 milhões de ações por ano) e na legisferância sobre questões banais são um exemplo de como temos dificuldade de definir e assumir expectativas quanto à credibilidade da outra parte e, por consequência, do sistema. Os elevados custos de transação têm efeitos econômicos e sociais, com infindáveis mecanismos de controle geradores de pesada  burocracia impeditiva da descentralização e da liberdade.

É preciso acreditar (e ajudar a construir) na integridade das instituições e seu sistema de consequências, sem a qual o funcionamento de seus dispositivos frustrará os mais elementares direitos da sociedade. Basta ver os resultados de pesquisas de credibilidade.

A falta de um lastro político sedimentado também faz com que investidores e governos estrangeiros desconfiem do cumprimento futuro de acordos assinados.

A Confiança é geradora de associações espontâneas, típicas de uma comunidade cujos membros compartilham comportamentos estáveis, cooperativos, colaborativos e honestos.

Decisões de Estado ou de vizinhança, institucionais ou pessoais são tomadas dentro de expectativas de Confiança. Quando dominadas por conveniências de superestrutura de curto prazo enfraquecem a sociedade, impedindo o caminho para sua maturidade.

Nenhum país será respeitado se não apresentar credenciais de Confiança em sua estruturação orgânica.

Promoção e Realização
Apoio Institucional

Fale Conosco

Contato

Fone

+55 61 3218-1800

Secretaria

Câmara de Gestão Pública - CGP/CFA

SAUS Quadra 01 Bloco L - Ed. CFA

70.070-632 - Brasília/DF

+55 61 3218-1842  (8h30 às 18h - segunda à sexta-feira)

fogesp@cfa.org.br